A Jornada, novo modo de Fifa, amplia a proposta da série

Demorei quase um ano desde o lançamento de Fifa 17 para experimentar A Jornada (The Journey), novo modo de jogo da série. Estive mais ocupado com o já consagrado Manager, com o qual me aventuro em todas as edições do game. Quando finalmente dei uma chance para encarnar em Alex Hunter, protagonista da história, me perguntei: por que posterguei tanto?

Confesso que subestimei a capacidade da inovadora campanha do Fifa, mesmo com a divulgação massiva da EA Sports.

Veja abaixo o trailer do modo A Jornada para Xbox One:

A campanha começa com o Hunter ainda criança, jogando em um campinho de várzea. Controlamos ele já nessa fase moleque, em uma cobrança de pênalti. O meu foi defendido pelo goleiro, mas acredito que seja possível marcar — eu sou péssimo nas penalidades mesmo.

Depois de desperdiçar, vi Hunter ser consolado por Gareth Walker, amigo de infância que o acompanha durante a saga. Além dele, a história ganha maior profundidade por meio de um contexto familiar envolta daquela partida mirim, no qual o protagonista é observado pelos seus pais e avô.

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Começamos A Jornada com Hunter ainda moleque, jogando na várzea

Hunter parece não ter uma boa relação com seu pai, que mais critica do que incentiva. A mãe do protagonista se incomoda e desencadeia uma discussão quando eles estão em casa. O garoto fica muito abatido com toda a situação e recebe consolo de seu avô, que foi um jogador renomado no passado.

Após esse drama, o jogo avança para os 17 anos de Hunter, que agora se prepara para uma peneira junto com Walker. Aqui, não vemos mais a figura paterna do protagonista, que só volta a aparecer no desfecho da campanha. Dessa forma, Hunter tem a mãe e o avô como únicos apoiadores de seu sonho.

Na peneira, Hunter e Walker são provocados por Danny Williams, jogador profissional que parece apenas um arrogante a desacreditar da capacidade dos jovens. No entanto, os dois amigos agradam um olheiro que lhes oferece um contrato para jogar na Premier League — primeira divisão do campeonato inglês.

Nesse momento, você pode escolher qualquer clube para atuar, e aqui fica a primeira ressalva. A escolha deveria ser mais limitada por questões de verossimilhança. Cá entre nós: pular de uma peneira para o Liverpool é forçado.

Mas tudo bem. Para não me sentir incomodado, ignorei o Manchester United, Arsenal, Tottenham, Chelsea etc. Fui para o Middlesbrough junto com o parceiro Walker.

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A Jornada permite que o jogador escolha qualquer clube da Premier League

Lá, começamos na reserva, entrando no final dos jogos com determinados objetivos do técnico, como prender a bola ou marcar um gol. Independentemente do seu desempenho, o clube contrata o centroavante Harry Kane, e Hunter é transferido para a EFL Championship (segunda divisão da Premier) para adquirir experiência.

Desta vez, a escolha é limitada a três ou quatro clubes. Fui para o Aston Villa. O evento é bem frustrante para Hunter, que agora deve disputar a segunda divisão enquanto Walker permanece na primeira.

No Aston Villa, reencontramos Danny Williams como parceiro do clube que escolhemos. Agora, ele se mostra uma pessoa de bom caráter. Por outro lado, o sucesso que Walker consegue na Premier sobe à cabeça, fazendo com que ele se torne uma pessoa totalmente falsa.

Aqui fica a segunda ressalva, pois achei essa mudança de personalidade muito brusca. A do Danny Williams é compreensível, visto que agora ele é um parceiro que joga no mesmo clube de Hunter. Mas a de Walker, não teve nenhum evento para justificar. Foi muito “do nada”.

E essa crise de personalidade ganha dimensões maiores quando ele treta com os técnicos e dirigentes do Middlesbrough, acertando uma polêmica transferência para o rival Sunderland.

Dessa forma, Hunter — que estava despontando na Championship  — é chamado de volta para ocupar o lugar do ex-amigo, que ainda começa a provocá-lo frequentemente nas redes sociais do jogo.

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Alex Hunter e sua mãe comemoram o retorno à Premier League e o novo apartamento que o atleta recebe do clube

Daí para frente, seguimos jogando a Premier e melhorando os pontos de Hunter cada vez mais. Os aprimoramentos acontecem durante os treinos que antecedem as partidas e após os jogos. Podemos adquirir habilidades como qualidade com a perna ruim, fintas, passes, chutes, lançamentos longos, entre outros.

O principal mote da história se torna a FA Cup, competição mais antiga da história do futebol. Aqui fica a terceira ressalva: mesmo considerando que o torneio não foi vencido pelo avô de Hunter, e que aí, reside uma motivação a mais para levantar a taça, isso não justifica tamanha importância que a narrativa da campanha dá para a copa.

Devemos avançar na fase de mata a mata e, se perdermos, é necessário jogar novamente até passar — perder é como se fosse game over com possibilidade de retry. Na final, enfrentamos o rival — no meu caso, o Sunderland — justamente para ter aquele duelo Hunter x Walker.

E ao conquistar o título, a campanha acaba, premiando-nos com uma carta do Alex Hunter para o modo Ultimate Team — também recebemos alguns pacotes de jogadores como recompensa ao decorrer do progresso.

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Podemos ver as estatísticas com Alex Hunter durante A Jornada, as quais apontam gols, assistência, personalidade, seguidores, valor de mercado, entre outros indicadores.

No geral, A Jornada agrada bastante. A história é imersiva e nos faz querer avançar para evoluir junto com Hunter, interagir em entrevistas, vestiários, preleções etc. As coisas ficam mais divertidas para quem é fã da jogabilidade de Fifa.

No entanto, há momentos que fica muito repetitivo. A sequência de jogo-treino cansa um pouco, respirando fora da mesmice em situações extraordinárias da vida de Hunter, seja em um evento no qual ele participa da campanha de um outdoor promocional ou quando recebe uma chuteira personalizada de sua patrocinadora.

Cabe criticar, ainda, a inteligência artificial. Podemos controlar somente o Hunter ou o time todo durante as partidas. Escolhi a segunda opção, pois dividir o controle da equipe com a máquina é sofrível.

Obviamente, não podemos mexer na escalação e substituições, as quais são praticamente iguais em todos os jogos e, muitas vezes, inexplicáveis — já que o técnico substituiu várias vezes um jogador que estava bem em campo.

Previsto para ser lançado no dia 29 de setembro, Fifa 18 trará a sequência do modo A Jornada com Alex Hunter. A maior expectativa é que incluam maior diversidade de afazeres ao longo da campanha, evitando o repetitivo jogo-treino, e um upgrade na inteligência da máquina.

2 Comentários

  1. […] em 29 de setembro de 2017, Fifa 18 conta novamente com o modo A Jornada, que dá continuidade à saga com Alex Hunter. Nessa segunda temporada, o jogador tem a chance de […]

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  2. […] do sempre presente Fifa, da EA Sports (~ its in the game ~), traz a continuação do modo “A Jornada“, no qual jogamos com Alex Hunter, além de melhorias visuais e de […]

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Murillo Magaroti

Jornalista e escritor