Análise

Estratégia e porrada balanceiam jornada de Batman Arkham City

Com a mesma mecânica que consagrou Arkham Asylum, primeiro título da série, Batman Arkham City coloca o jogador novamente na pele do super-herói mais famoso da DC. Dessa vez, há muito mais vilões para enfrentar, locais para infiltrar e mistérios para resolver, o que amplia a proposta de ação e aventura do jogo, regrada por combates expostos e furtivos.

Com o mesmo visual 3D do jogo anterior, o Arkham City traz um diferencial que diversifica os objetivos do jogo: mapa aberto. No céu, o Bat-sinal indica onde o jogador deve ir para avançar na narrativa principal.

Fora dela, há também missões secundárias articuladas por vilões do Batman, com participação de Victor Zsasz, Ladrão de Identidades, Pistoleiro, Chapeleiro Louco, Crocodilo, Bane, Sr. Frio, Hera Venenosa, entre outros.

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Batman pode plainar com sua capa sobre o panorama noturno de Arkham City

Além das histórias principais e secundárias, o jogo oferece muitas outras metas exploráveis, como coletar troféus do Charada. Tudo isso é encontrado correndo ao longo de ruas e becos avacalhados, escalando prédios com arpéu ou plainando sobre o panorama sempre noturno de Arkham City.

Ao completar os objetivos, o jogador recebe diversas recompensas, como melhorias em equipamentos, pontos de experiência e maior progresso no jogo, mensurado em porcentagem. Apesar da sensação de liberdade, muitos momentos da aventura possuem dinâmica constante, ou seja, só há um caminho a ser seguido.

NARRATIVA

O jogo se passa em uma espécie de cidade-prisão criada pelo prefeito Quincy Sharp, a qual abrange alguns bairros de Gotham. Denominado Arkham City, o local está cercado por muros que impedem a saída dos vilões. Coringa, Arlequina, Pinguim, Duas-Caras, Ra’s Al Ghul e muitos outros personagens estão nesse lugar, e administram a ordem local por meio de suas influências.

Obviamente, Bruce Wayne não simpatiza com Arkham City e pretende romper com o plano do prefeito. Mas ele é sequestrado por Hugo Strange e jogado dentro da cidade-prisão. Enquanto é coagido lá, o herói descobre que há um plano chamado Protocolo 10 em andamento.

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Coringa é um dos principais vilões no segundo jogo da série Arkham

Wayne escapa ainda sem sua identidade, derrotando algumas dezenas de inimigos, o que faz o jogador questionar por quê os inimigos não desconfiam do poder sobrenatural de combate do personagem. Esse e alguns outros acontecimentos podem comprometer a imersão da narrativa.

Após escapar, o herói entra em contato com o mordomo-tutor Alfred Pennyworth, sendo empoderado com o clássico traje e bomba de fumaça, detectores de sinais, visão de detetive e muitos outros equipamentos que proporcionam diversas performances à jogabilidade.

Em conversa com Alfred, Batman afirma que só sairá de Arkham City após descobrir o que é o tal do Protocolo 10. Esse argumento vincula a narrativa às regras do jogo, pois não é possível ultrapassar os muros que cercam os bairros confinados de Gotham.

DESENVOLVIMENTO

Embora seja protagonizado pelo homem-morcego, o jogo oferece outros personagens controláveis por meio de DLC (conteúdo para download) — Robin, Mulher-Gato e Asa Noturna. Mas esse “extra” também está de graça em alguns momentos do jogo. Na abertura, por exemplo, antes mesmo do sequestro do Wayne, quem encena a é a Mulher-Gato, conduzindo o primeiro combate do jogo.

Após derrotar os capangas do Duas-Caras, a anti-heroína alcança o cofre do local para roubar um item. No entanto, é sequestrada pelo vilão durante a animação. Esse sistema se repete ao longo de todo o enredo. Ou seja, independentemente das ações do jogador, os acontecimentos são predeterminados pelo jogo.

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Mulher-Gato é sequestrada pelo Duas-Caras na abertura do jogo

Mesmo assim, a trama é repleta de reviravoltas e desfechos dramáticos, principalmente aquele que encerra a história. Em alguns momentos da narrativa, o herói terá que ajudar até mesmo os vilões, cujos acontecimentos incentivam o jogador a ir e voltar por diversos pontos do mapa.

SISTEMA DE LUTA

O sistema de luta se baseia nos comandos de ataque e contra-ataque, exigindo precisão casual do jogador para proceder com sucesso. Caso seja atingido, o personagem sofre um dano e a sequência de golpes é interrompida, diminuindo a quantidade de pontos de experiência adquiridos ao final do combate.

Além dos comandos de ataque e contra-ataque, também é possível lançar a capa do herói sobre os inimigos, o que os deixa atordoados por alguns instantes e permite que o Batman encaixe uma sequência rápida de chutes, socos, joelhadas e tudo mais.

A ação é mais necessária quando surgem inimigos com escudo ou armaduras resistentes, obrigando o lançamento da capa para torná-los vulneráveis. Também há  inimigos equipados com armas brancas e de choque, o que impossibilita a ação de contra-ataque e demanda outro comando do jogador: esquiva.

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Inimigos equipados com armas brancas exigem que o jogador esquive dos golpes

Também há inimigos que arremessam objetos espalhados pelo cenário do jogo, como caixotes, barris e outras coisas. Nesse caso, é possível tanto desviar quanto arremessa-los novamente contra os adversários com o comando de contra-ataque. Quando há diversos tipos inimigos contra o herói, o jogo fica mais dinâmico e desafiador, pois cada um exige uma ação diferente do jogador.

DESAFIO ESTRATÉGICO

O combate fica mais desafiador mesmo quando há inimigos com armas de fogo, uma vez que elas causam muito dano ao Batman. Nesse caso, é necessário recorrer à ação furtiva. O mais comum é se esconder em locais altos ou subterrâneos para render os adversários sem que os outros vejam.

Batman possui diversos aparatos que ajudam na infiltração de locais protegidos por inimigos armados, proporcionando várias maneiras de superar as patrulhas inimigas. É possível, por exemplo, identificar uma parede frágil, aplicar gel explosivo nela e detonar quando o inimigo estiver próximo, desmaiando-o devido ao impacto com os escombros.

Com os pontos de experiência, é possível evoluir o nível de resistência da armadura do Batman, adquirir golpes novos — que permitem, por exemplo, sair correndo e dar uma rasteira nos inimigos —, ampliar a potência dos equipamentos e muitos outros aspectos que empoderam a capacidade de luta e espreita do herói.

As batalhas que exigem mais estratégia do jogador são contra os vilões, que podem ser considerados como “chefões”, enfrentados somente em determinados momentos da narrativa — principal ou secundária. Cada um exige uma tática diferente, o que torna a jogabilidade ainda mais dinâmica.

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Arkham City entrega um mapa aberto com diversos objetivos à disposição do jogador

ENFIM

Batman Arkham City possui uma ação frenética que balanceia momentos de estratégia e porradaria. Embora o mundo aberto amplie o que é possível fazer no jogo, muitas das tarefas que correm por fora da história principal se tornam repetitivas e podem fazer o jogador desistir delas. Ainda assim, a proposta do jogo garante uma imersão com raros momentos de tédio, diversidade por meio da cooperação com aliados e competição em dose satisfatória contra os inimigos que operam no jogo.

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