Pra que servem mesmo todas essas análises?

A primeira análise de jogo que escrevi, na verdade, não escrevi. Em meados de 2008, quando era um aluno secundarista e jogava Xbox 360 nas minhas tardes, me cadastrei em um extinto fórum de fãs do console após ler um maravilhoso review de Mass Effect.

Logo quis fazer parte do seleto grupo de usuários que escreviam análises. No ‘melhor estilo ensino fundamental’, meti um Ctrl+C no review de Devil May Cry 4, escrito por sei lá quem no GameVicio, e um Ctrl+V na página de publicação. Ajustei aqui, troquei palavra acolá e pronto. Enviar texto.

Fiz isso por um bom tempo, pois queria prestígio rápido. Quando os moderadores descobriram, em vez de me banirem, só apagaram as análises e entraram em contato com orientações (fundamentais) para que eu começasse a escrever matérias autorais.

Nunca mais consegui escrever com a mesma frequência, porque dá mais trabalho. Mas foi um processo de aprendizado que me introduziu bem às práticas produtivas de texto — cujo prestígio era, agora sim, melhor. Sem contar os feedbacks, negativos e positivos, que ajudavam a dar novos sentidos aos jogos e melhorar ainda mais meu trabalho.

Posso dizer que essa experiência no Fórum Brasil 360 que determinou a escolher jornalismo após o ensino médio. E, lá na Universidade, foi onde aprendi o principal objetivo da análise de um produto cultural — que não tem nada a ver com prestígio, embora isso ainda sirva de combustível para as escritas.

Mais do que dar notas, a crítica tem como função discutir a obra perante seu contexto sociocultural. Claro que é necessário ‘avaliar’ elementos intrínsecos do produto — no caso de um jogo, o game design, regras, engajamento etc.

Porém, restrita a isso, a análise se torna apenas um folheto de “para qual público eu indico isso aqui”. Limitação mercadológica, pois só sugere obras um perfil de cliente, sem propor discutir os significados por trás deles.

A mídia está cheia de análises assim: recomendações, estrelinhas, notinhas e pouca (nenhuma) discussão ou contextualização social e cultural. Eu mesmo acabo contribuindo com essa tragédia. Por isso, deixei de escrever um review hoje desde quando me ocupei refletindo: para que serve mesmo todas essas análises?

Atrasou a matéria, mas rolou essa crônica. Talvez o que precisamos mesmo é de mais tempo para pensar e aprofundar uma crítica, cumprindo com todas suas funções — possibilidade minada pela contemporaneidade transbordada de pressa.

um comentário

  1. Jornalistas que plagiam analises. Nada de novo.

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Murillo Magaroti

Jornalista e escritor

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