Detroit: Become Human eleva patamar de “filme interativo” com variações e profundidade narrativa

Publicado exclusivamente para PlayStation 4 em 25 de maio deste ano, Detroit: Become Human foca em uma jornada feita de escolhas e consequências, cativando os jogadores a descobrirem o que realmente nos faz humanos.

O game é mais um daqueles chamados de “filme interativo”, como a série The Walking Dead, da Telltale Games, e Life is Strange, da Square Enix. Neste “estilo”, a desenvolvedora francesa Quantic Dream aparece como referência, carregando em seu portfólio os títulos de Fahrenheit (ou Indigo Prophecy), Heavy Rain e Beyond: Two Souls.

Com Detroit: Become Human, a empresa atinge um patamar elevado quando se trata de filme interativo. Isso porque o game demonstra uma evolução focada na maior crítica que esses jogos recebem: não cumprir a promessa de que os acontecimentos serão influenciados, prioritariamente, de acordo com as escolhas do jogador.

Confira abaixo o trailer divulgado na Paris Games Week 2017, com opção de legenda em português. (O jogo é comercializado com dublagem em português).

QUALIFICAÇÃO DA NARRATIVA
Além de entregar diversas possibilidades de eventos ao jogador, Detroit: Become Human transparece isso. Ao final de cada “capítulo”, uma espécie de árvore evolutiva da trama aparece para demonstrar como cada decisão levou a determinado acontecimento, com porcentagens mundiais para efeitos comparativos.

Outras possibilidades de decisões também aparecem na árvore, mas não revelam o que iria acontecer caso tivessem sido optadas, incentivando o fator replay do jogo. Mas a vasta quantidade de eventos não sustenta um diferencial positivo, e é aí que qualificação do enredo rouba a cena.

O jogo é baseado na temática da inteligência artificial, o que está cada vez mais iminente na sociedade contemporânea. Controlamos três androides: Kara, Markus e Connor, no ano de 2038. Criados pela empresa CyberLife, cada “robô” é feito para cumprir tarefas específicas, o que vem gerando crises econômicas e sociais na ficção de Become Human, que se passa na cidade de Detroit, do estado de Michigan (EUA).

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Markus, Kara e Connor, os androides que protagonizam Detroit: Become Human

Kara foi fabricada para realizar atividades domésticas. Já Makus é programado para cuidar do renomado e paraplégico pintor Carl Manfred. Por fim, Connor é o modelo mais atual da CyberLife, designado a ajudar detetives humanos e a solucionar o mistério por trás dos divergentes: androides que sentem emoções.

Em meio a isso, Detroit: Become Human aprofunda o tema da inteligência artificial em um drama que discute assuntos sérios e atuais, como violência contra a mulher, exploração trabalhista, desemprego em massa, fascismo, práticas reivindicatórias, entre muitos outros. 

NARRATIVA EQUILIBRA A JOGABILIDADE
Detroit: Become Human possui elementos de ação, aventura e quebra-cabeças, cujo controle dos personagens se assemelha a um point and click e quick time event. Ou seja, o jogador se limita a percorrer pelo cenário, dialogar, interagir com objetos e responder aos comandos que surgem na tela quando eventos são desbloqueados conforme avança pelas fases. A câmera em terceira pessoa permanece quase fixa, permitindo entre duas e três alterações de ângulo.

Parece entediante, mas por possibilitar diversos caminhos ao longo do enredo e abordar temáticas delicadas e sérias, Detroit cativa bem a atenção do jogador. Permanecemos em constante estado de curiosidade, querendo saber o que acontecerá a cada capítulo, qual será a consequência de uma ou outra atitude etc.

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Cada decisão pode mudar o rumo da história em Detroit, mantendo o jogador imerso

Os objetivos de cada personagem se modificam de acordo com nossas escolhas, incentivando o progresso da jornada até descobrimos o desfecho que estamos traçando para cada um dos androides e demais personagens envolvidos na trama.

Uma experiência equilibrada entre frenético e monótono, inserindo o jogador em atmosferas comoventes, assustadoras, culposas, decepcionantes, dolorosas, felizes, tristes, gratificantes, tensas e muitas outras. Tudo isso reforça, ainda, a reflexão do que nos torna humanos — proposta principal do game.

CALIBRADO E ENRIQUECEDOR
Detroit: Become Human exige muitas habilidades mentais dos jogadores. Cada decisão pode ser um quebra-cabeça importante para o desenrolar do enredo. Mas nem todas as opções acabam sendo justas, pois há casos de que a ação do personagem destoa da descrição que o jogo fornece. Sem permitir regresso, isso pode se tornar frustrante.

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Na fictícia Detroit de 2038, os androides criados pela CyberLife geram crises econômicas e sociais

Em algumas ocasiões, há um tempo limitado para dificultar as escolhas e aumentar o nível de ansiedade do jogo. Correndo riscos, o jogador pode pausar o jogo e ganhar mais tempo para encarar o dilema, mas o macete é inútil quando isso acontece durante um evento de perseguição ou combate, por exemplo, no qual é necessário destreza para não errar e comprometer até mesmo a vida dos personagens.

Embora haja punições severas, Detroit: Become Human também proporciona recompensas caso o jogador acerte os comandos que surgem, resolva problemas no tempo hábil e tome decisões coerentes e estratégicas. Todas as gratificações estão relacionadas ao desfecho dos personagens em situações pontuais, nos capítulos e na trama em seu todo.

Ao finalizar o game, o “Mapa da História” é desbloqueado no menu inicial, permitindo ao jogador conferir a árvore de todos os capítulos do jogo e acessar momentos específicos para tomar decisões diferentes. Também há vídeos, artes conceituais e papeis de parede que podem ser adquiridos com pontos acumulados ao longo do jogo.

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No menu, interagimos com a androide Chloe que também se altera conforme o jogo evolui, além de propor questionários que servem como pesquisas públicas, enriquecendo ainda mais os extras do jogo

Dessa forma, Detroit: Become Human entrega uma experiência enriquecida e madura se tratando de jogabilidade e narrativa, com potenciais oportunidades de manter o jogador vidrado mesmo após finalizar a jornada. Mais do que um “filme interativo”, é um jogo bem balanceado em game design e que mimetiza a realidade sem precisar se apoiar em gráficos ultrarrealistas para sustentar valor no mercado — embora mande muito bem neste quesito também.

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Murillo Magaroti

Jornalista e escritor